Apresentação
Séries iniciais

O trabalho nos primeiros anos é marcado pelos processos de aquisição da leitura e da escrita. Para essa tarefa são considerados os pressupostos do letramento, ou seja, a aprendizagem dessas habilidades está para além do simples esforço para que as crianças reconheçam alfabeto, algarismos e palavras ou desenvolvam motricidade para escrever. O ensino da leitura e da escrita está relacionado às leituras de mundo que os alunos são portadores e ao desenvolvimento de seus pensamentos. É dessa maneira que a aprendizagem se torna significativa, prazerosa e favorece a autoestima das crianças que percebem quanto seu repertório pessoal é importante no processo de apropriação de novas habilidades e de descobertas.

ssim, tanto os componentes curriculares quanto a forma como são propostas as atividades aos alunos nesse período são planejados para estimular o acesso a diferentes tipos de textos e de suportes (livros, revistas, tela etc), diferentes linguagens (inclusive numéricas) e relações com todos os campos de conhecimento.

Entre o 4º e 5º anos, o ensino ocupa-se progressivamente de uma maior sistematização dos conteúdos específicos de cada componente curricular, sem deixar de lado a curiosidade, a investigação e a construção de explicações provisórias. Conhecer e nomear estruturas que constituem modelos explicativos dos fenômenos naturais e sociais, expressar-se e operar numericamente, são algumas das finalidades propostas para essa fase.

Para que os alunos possam, cada vez mais, dar sentidos à aprendizagem, a utilização sistemática de instrumentos de registro é ensinada. A retomada dos percursos de aprendizagem a partir desses registros pessoais permite a reflexão sobre os conteúdos e processos. Disso surgem novas associações, dando origem também a questões originais e inquietações diante do conhecimento.

Todos os segmentos da escola realizam, conforme a conveniência didática, estudos circunstanciados em ambientes externos à escola. A proposta de sair a campo resulta de necessidades surgidas no desenvolvimento de algum tema ou projeto de investigação. São oportunidades de ressignificação de aprendizagens conceituais ou de levantamento de problemas que motivem novos investimentos de leitura e pesquisa.

Séries finais


Entre o 6 º e o 9º ano, a base curricular é organizada de forma que os alunos conheçam a estrutura disciplinar em que se encontra organizado o conhecimento acadêmico. Desta forma, os alunos entram em contato com um novo tipo de organização escolar: as diferentes disciplinas são trabalhadas por professores especialistas, o que propicia um aprofundamento conceitual. A ampliação do número de professores nesse estágio da escolaridade possibilita o acesso a um universo maior de informações científicas e culturais, a uma experimentação variada de propostas e estratégias de trabalho (investigação, sistematização, aplicação/apresentação), além de proporcionar maior variedade de observações sobre o desenvolvimento dos alunos, ampliação de olhares, leituras, interferências, o que aumenta também a dinâmica relacional dos estudantes com a referência adulta.

Entretanto, essa abordagem disciplinar não é exclusiva. Com o objetivo de apresentar objetos de estudo sob óticas múltiplas, o corpo docente também se articula em projetos interdisciplinares e em investigações monitoradas. A idéia é não apresentar o conhecimento de forma tão compartimentada e instigar os alunos a elaborar perguntas, levantar hipóteses e estabelecer relações mais sofisticadas entre conceitos, aprendizagens e vivências (não só na escola, mas no contexto sócio cultural do qual fazem parte).

Outro aspecto que apresenta uma nova dimensão é a forma dos alunos relacionar-se com os outros e com o mundo. A “turma da escola” é, nesse momento, uma forte referência, fonte de identificação e apoio, e a escola constitui-se cada vez mais em um importante espaço de socialização. É no cotidiano escolar que nossos alunos adolescentes exercitam o viver no coletivo. A escola trabalha essas questões não só no seu cotidiano ordinário, mas também em momentos planejados pela coordenação e professores com essa intencionalidade.

O ensino de Filosofia, desde o 6º ano, é parte das posturas educacionais assumidas pela escola. Refletir sobre a produção do conhecimento filosófico e científico em contextos e tempos diversos é importante para fundamentar a noção de provisoriedade dos modelos explicativos e das verdades deles derivadas.

Os potenciais de expressão individual e coletiva ganham espaço nos cursos de artes plásticas e cênicas. Eles são núcleos de trabalho com outras linguagens e ampliação de repertório estético, de apropriação de técnicas e de vivências corporais.