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19/05/2010 - Álbuns de figurinhas

Senhores familiares,

Com a proximidade da Copa do Mundo, a coleção de figurinhas com times e jogadores participantes do evento esportivo está em alta entre crianças, adolescentes e ... até adultos. Sem nenhuma novidade, sabemos que o ato de colecionar é mobilizador, em especial quando existe uma adesão coletiva.

Obviamente, que não nos escapa também que o apelo mercadológico para o consumo de álbuns e figurinhas é renovado incessantemente por estratégias midiáticas articuladas, o que pode provocar, sobretudo nas crianças e adolescentes, exageros no consumo desses artigos.  
Apelamos a vocês para, em consonância com nossos esforços, ajudar a conter possíveis excessos.

Consumo consciente é a chave para abordar essa questão. O desejo de preencher muitos álbuns e o gasto desmedido na aquisição de figurinhas podem ser sintomas de compulsão não de colecionar, mas de acumular, de fazer uso do excedente para exibir poder de compra ou outros poderes.

Esse comportamento, portanto, longe de ser uma questão apenas de ordem privada, introduz no ambiente coletivo vários elementos perturbadores. Dispara a competitividade de poder aquisitivo; provoca constrangimentos; incita sujeitos em processo de formação moral a lançar mão de atos condenáveis para obter vantagens nessa dinâmica; amplifica, na escola principalmente, situações de conflito que nem sempre são administráveis e que desviam a concentração necessária para a produção das aprendizagens.

Tentamos fazer com que todas as situações vividas sejam motivo para ações educativas. Por isso, usamos as questões surgidas no cotidiano como matéria prima para intervenções conscientizadoras. Logo, os desvios citados têm sido objeto de nossa atenção.

Entretanto, a demanda de alunos e familiares para que a escola se responsabilize por figurinhas perdidas ou subtraídas não é cabível.

Deixamos claro que álbuns e figurinhas, a não ser em projetos escolares específicos e de conhecimento das famílias dos implicados, não constituem material de utilização pedagógica. Por eles, a escola não se responsabiliza.

Devemos, como coletividade de interesse comum – a educação de crianças e jovens –, atentar para o aspecto levantado acima e fazer disso objeto de intervenção efetiva nas diversas oportunidades que tivermos.

Contamos com a colaboração de todos.
Cordialmente,
 
Silvio Barini Pinto


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