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21/05/2010 - Vítimas de inundação dão banho de cultura e capacidade de superação

Estudo de campo em São Luiz do Paraitinga coloca alunos do 6º ano e do Núcleo Interagir de Ações Sociais frente a muitas aprendizagens e ao valor da cooperação.

Foi intensa a experiência dos alunos do 6° ano na cidade de São Luiz do Paraitinga.

Serem recebidos pelo ‘seo’ Benito no interior de sua própria casa para ouvir histórias sobre a cidade já foi uma oportunidade de entrar em contato com algo raro em nosso meio metropolitano: a hospitalidade generosa, espontânea nos moradores daquela cidade. Ouvir seus ‘causos’ com a atenção que o interesse determinava, foi revelador para os próprios alunos que não imaginavam que os ‘caipiras’ teriam tanto a acrescentar ao conhecimento de gente da capital sempre tão plugada. Ditão, então, arrasou contando em cordel o desastre do início do ano, a luta dos luizenses para a reconstrução de seu patrimônio e suas muitas histórias de Saci.

Momento mais interativo foi o encontro com alunos da escola local, com a mesma idade dos nossos, em que trocaram vivências cotidianas, brincadeiras realizadas na rua e na praça, impressões sobre o dia a dia escolar, no que foram acompanhados pela Professora Parê e nosso grupo de educadores.

Ao mergulharem no trabalho de investigação, os alunos entrevistaram o João, do rafting, que além de relatar como resgatou as pessoas que estavam “ilhadas” na cidade, também contou suas aventuras no rio próximo à cidade.

A pesquisa material do cenário urbano arruinado pelas enchentes contou com a paciência primorosa do restaurador Márcio que nos conduziu pelo canteiro de restauro da igreja matriz e relatou como se dava aquele trabalho. O cuidado com que os especialistas realizavam as escavações fazia-os retirar a terra com as próprias mãos, delicadamente. Acaso fantástico: enquanto ali estávamos, foi desenterrado o sacrário da igreja. O impacto desse instante aguçou ainda mais a curiosidade para as demais peças já encontradas e mantidas ali, no local, à espera do reconhecimento, reconstituição e finalmente restauração.

O trabalho ainda levou os alunos a observar, perguntar e fazer deduções e hipóteses sobre aspectos da organização da cidade – quase uma arqueologia mental –, sobre o regime do rio e as interferências humanas por ele sofridas, sobre a importância da praça na dinâmica dos moradores.

Enquanto isso, alunos do Núcleo Interagir de Ações Sociais faziam levantamentos das iniciativas de solidariedade presentes em Paraitinga. Procuravam, na verdade, novas frentes de atuação para se engajarem, pois a campanha de coleta de livros para a reconstrução da biblioteca da escola já tinha sido uma contribuição significativa, o que os deixou animadíssimos.

Onde poderiam encontrar desgraça e desalento, nossos alunos descobriram felizes a riqueza do “ultimo reduto caipira” da região. O imaginário rico do caipira, seu jeito especial de falar e de nos receber revelou ao grupo outra realidade e outros modos de cultura e de animação com vida – experiência que cultivaremos na escola. Até o  “afogado” – ironia à parte – , prato típico da Festa do Divino foi servido no restaurante do Beto, onde pudemos recompor as energias gastas na viagem e nas expedições de trabalho.

Por fim, embora sabedores de que a situação ainda exige dos moradores da cidade muito trabalho para reconstruir parte de seu patrimônio devastado em janeiro, pudemos perceber que determinação e criatividade os luizenses têm de sobra! Aí reside, em grande parte, o motivo de nosso encontro ter sido tão produtivo e feliz. Saímos com motivação redobrada para colaborar.
No que depender do CSD, estaremos prontos a ajudá-los nesse movimento tão enriquecedor. Nosso gesto simples de levar-lhes os livros arrecadados no último evento da escola, foi pequeno para compensar tantas aprendizagens que os luizenses nos proporcionaram e, mais que tudo, o carinho com que nos receberam.

Integram esse projeto: prof. Gabriel (história), profa. Karin (geografia) e profa. Sandra (corpo e movimento), Teresa (coordenadora), prof. Luis Fernando (Núcleo Interagir de Ações Sociais) e Ricardo (coordenador).

Apoio logístico: Uggi Ed. Ambiental









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