No CSD é comum a formação de redes de conhecimentos para abordagens temáticas mais abrangentes. Coletivos formados por afinidades conceituais e experiências diferentes potencializam o trabalho com os alunos em todas as séries e idades.

Essa dinâmica proporcionou que alunos do 5o ano do Ensino Fundamental I convidassem recentemente a professora de Literatura Katia Pellicci Cembrone, que atua com alunos maiores no Fundamental II, para realizar a leitura inaugural do texto integral do clássico literário “O homem invisível”, de H.G.Wells.

Os primeiros capítulos suscitaram muitas perguntas: será que ele é invisível de verdade ou as pessoas apenas não o notam? É possível ficar invisível? Pode ser que haja uma poção mágica... Literatura fantástica? Ficção Científica? Mergulho no maravilhoso? História extraordinária? Romance grotesco, monstruoso?

Enigma a ser desvendado, desvelado, a obra de Wells permite leituras em muitas camadas e uma diversidade de interpretações. Como num jogo de luz e sombra, a narrativa traz ao leitor, a princípio, uma presença misteriosa que se tornará, mais tarde, uma inacreditável (seria possível?) presença: a de uma personagem que nunca se revela por completo, porque seu corpo é invisível.

Nessa discussão, a explicação científica que revelaria o segredo do Homem Invisível parece-nos explicitar o literário:

“Lembre-se, a visibilidade depende da ação de corpos visíveis sobre a luz. Os corpos ou absorvem a luz, ou a refletem, ou a refratam, ou fazem todas essas coisas” (p.121).

Jogo do dito e do não-dito, entre o visível e o invisível do corpo físico do texto reside o literário. A forma do conteúdo. As palavras visíveis absorvem, refletem ou refratam (ou todas essas coisas) a luz, revelando sentidos, possibilidades de interpretação a cada leitor.

São muitos os sentidos e percepções na leitura compartilhada, em sala de aula, desta obra literária de texto integral! Como as próprias crianças definiram, o texto integral “é mais saudável”, porque “conserva seus nutrientes naturais”, originais, “alimenta melhor”. Sem cortes ou adaptações, o texto literário integral “faz bem à saúde”, pois “faz o cérebro trabalhar mais”, propicia leituras enriquecedoras, sempre inconclusas e fugidias. Exige de nós, leitores, esforço para tocarmos, por um instante, o invisível.

 

Texto produzido pela professora de Literatura e Língua Portuguesa dos 6º e 8º anos e pelas professoras do 5º ano.

 

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