Como atuar para além das balizas estruturantes da secular instituição escolar? Como promover práticas que inovem a educação sem condicionar essas inovações a supostas “reformas” promovidas pelo Estado? Como ultrapassar as revisões de práticas educativas para além da adoção de metodologias “milagrosas” ou apelos tecnológicos tão somente?

Para tentar refletir nos domínios da incerteza –  livres de quaisquer temores – a que estas questões nos levam, decidimos promover no Colégio São Domingos séries de formação complementar aos educadores que atuam na escola.

Uma delas, já implementada, diz respeito a um tipo de abordagem da educação que não se restringe à simples história das estruturas escolares e nem à história das matrizes oficiais adotadas de tempos em tempos para o fazer pedagógico – seja pelas políticas públicas, seja pelas ondas conceituais que movimentam a academia.

Isso pode ser feito pela tônica na investigação das culturas escolares. Vejam que isso tem mais a ver com as experiências vividas efetivamente nas instituições (o que se faz apesar das estruturas dadas, muitas vezes ao arrepio das prescrições legais ou acadêmicas).

Diz respeito às relações construídas entre os sujeitos que atuam na cena escolar, ao tipo de fluxo que dinamiza o conhecimento nas instituições reais, ao tipo de uso que é feito dos recursos que, de tão associados à educação, tornaram-se naturalizados (caderno, livro, leitura, anotação, exercícios, prova, classes seriadas, partição do currículo em disciplinas, tópicos pré-determinados etc).

Esse tipo de enfoque prioriza as formas singulares de apropriação de tudo que historicamente nos é posto. Isso deve revelar pistas para que façamos escola para além dos limites que “impediriam” a renovação de práticas, a ousadia, a originalidade.

Parece que esse é mais um jeito de reconhecer e valorizar nossa própria experiência no CSD.

Localizar os marcos já empregados em pesquisas desse gênero e  reinterrogar elementos tornados óbvios pela prática cotidiana são objetivos que podem ser atingidos pelo conjunto de nossos profissionais, favorecendo sincronizações de nossos trabalhos e enriquecendo a bagagem profissional de cada um.

Para fazê-lo, contamos com Maria Rita Toledo, mãe de Isadora, professora da UNIFESP, onde pesquisa essa temática e ministra cursos.

Em outra série de encontros, a acontecer no primeiro semestre de 2018, investigaremos a educação a partir da história do pensamento.

Essa abordagem visará ao reconhecimento da articulação das epistemologias que se tornaram hegemônicas nos vários momentos do passado às concepções de educação e suas prescrições metodológicas (o que envolve a evolução das didáticas que foram criadas para operacionalizar o que se pretendia conceitualmente).

A clareza sobre as origens de formatos didáticos – e as implicações de seus usos e abusos na profundidade de campo das formações que pretendemos para nossos alunos no século XXI – poderá nos render mais discernimento nas escolhas que viermos a fazer no campo educativo.

Para essa série, contaremos com a condução de Bruno Bontempi Jr., professor da Faculdade de Educação da USP, marido de Carol, professora de História do Ensino Médio.

Com inciativas como essas é que asseguramos que, além das investigações promovidas nas atividades com alunos, além das reflexões promovidas em nossas reuniões coletivas semanais e dos atendimentos individuais dos professores pelas suas coordenações, haja espaço de nutrição intelectual entre nossos profissionais a partir de certo distanciamento das práticas cotidianas, o que favorece afinidades conceituais e meditativas sobre o universo de nossas atuações. 

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